Boa tarde,
Quando se achava que umas idazinhas a Blantyre não
podiam render mais, eis que surge o terceiro (e último) episódio por terras
malawianas. Curiosamente, também este incluiu um desafio com as autoridades.
Chegada a Blantyre, Mary dirige-se, pela segunda
vez, ao Consulado moçambicano. Desta vez ia compostinha: calça, topzinho com
mangas, casaco e ténizinhos. E quem encontrámos de pé ao lado da amiga da
secretaria? A nossa Miss Manicure, também ela muito composta. Aliás, punha-me
num chinelo, Quinta-feira deve ser dia de spa.
Miss
Manicure: Dona Maria, este visto já não dá para prorrogar… Aliás, já nem deve
usar este tipo de visto, tem de pedir uma autorização provincial, e isto e
aquilo e ir ali a Vila Real de Sto. António para chegar à Damaia.
Mary
(raios parta isto!!): *sorrisinho humilde*
Miss
Manicure: Mandimba… curioso… aonde em Mandimba?
Mary (a
sério? A sério que achas que alguém ia inventar que vive em Mandimba?): No
Bairro da Chanica.
Miss
Manicure: Não estou a ver. E eu faço muitas vezes aquela estrada.
Mary
(gesticulando): Claro que não está a ver, é smalliiiii.
Miss
Manicure: *GARGALHADA*
Mary: A
sério, uma pessoa sai de Mandimba, “ah e tal vou procurar a Chanica” e pumbas,
já passou!
Miss
Manicure: *GARGALHADA*
Mary
(será que isto chega para me safar?): Posso usar a sua casa-de-banho?
Miss
Manicure: Com certeza.
Ok Mary, força, tu
consegues! Aguenta que a moça há-de ceder. Goza mais “ca” Chanica. Faz qualquer
coisa mulher. Pronto, e agora volta lá para elas não acharem que és (ainda
mais) estranha. Voltei e tudo acabou bem, Mary sacou um vistinho. Boa tarde e
obrigada.
Como eles têm Wi-Fi,
deixei-me ficar mais um bocadinho no jardim a “apreciar as flores”…
Enter jovem casal de
backpackers europeus.
Ela de manga à cava e
havaianas, ele de calções. First timers, obviamente. Tadinhos, juro que tive
pena, sobretudo porque vinham com ar de quem tinha andado duas horas
(circunstância que confirmei dois minutos depois).
Mary:
Queridinhos, vocês assim nem à porta chegam.
Jessica:
A sério? Que chatice… Andámos duas horas para cá chegar.
Mary (called it!): Acredito, mas vão por mim…
Jessica:
*blank*
Mary:
Posso ajudar-te com casaco e ténis mas não tenho nada para o Zé Carlos.
Jessica: Não faz mal, ele
pede umas calças ao jardineiro.
E assim foi, trocadas as
roupas Mary deu por si com umas havaianas 37 nos pés (leia-se, com os
calcanhares de fora) e o Zé Carlos estrelicadinho
nas ditas calças do jardineiro. Múltiplos minutos depois, ressurge o casal
bastante chateado com o atendimento. ‘Xem lá isso filhos, há coisas piores.
Obrigados e até qualquer dia.
Cinco horas mais tarde, na
fila para o ATM…
Mary frustradíssima por ter
ficado presa em Blantyre por causa dum atraso de 10 minutos e ainda mais
frustrada por estar incontactável. Passa casal de suíços. Dois minutos de
conversa de circunstância. Casal segue para o SHOPRITE, pináculo do consumo em
Blantyre, Mary avança uma casa na fila para o multibanco ainda bastante
frustrada.
Dois minutos depois…
“Espera lá, aqueles tipos
falaram num hot-spot na mochila…!” Próximo destino: SHOPRITE!
Mary entra no dito e busca
casal suíço. Corredor do óleo…corredor das farinhas… corredor dos cereais…
STOP!! Eis-li-os. “Desculpa lá ‘miga, posso usar a vossa net?” E assim foi, mais
precisamente entre os Jungle Oats e
os Cornflakes.
Até já.
Como assim ela não sabia onde era o bairro da Chanica?? TODA a gente sabe onde é!! E tu muito querida a emprestar as roupas! Quem dera a muitas Jessicas nesta vida encontrarem mais Marys às portas das embaixadas!! LY
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