Ok, zero visto mas necessidade de voltar para
Mandimba… Mary pensa e decide arriscar: siga para Mandimba!
Chego ao posto de fronteira de Mandimba e vejo o
chefe das Alfândegas com quem, curiosamente, tinha visto o Benfica-Porto. “Estou
a pedir visto.”, diz a Mary. Risada geral derivados do uso de uma expressão local.
“O chefe da Imigração há-de dar.”. Okay, desde que alguém mo dê até pode ser o
jardineiro.
Enter chefe da Imigração. Pela carinha do moço vi
logo que não ia ser um parto fácil. Arregaça a manga, sorriso de orelha a
orelha e vamos a isto. Long story short, ao
contrário do que me disseram no Consulado, não dão aquele tipo de vistos nas
fronteiras e tive que vender o meu primogénito e lançar muito charme para conseguir
um acordo – leia-se, não sair de Mandimba e voltar ao Malawi na Quarta para
pedir novo visto.
Notem que o medo principal desta gente era que eu
fugisse. Where the hell to people? Lá
lhes garanti que o meu coração estava em Mandimba e que não ia a lado nenhum.
Ok, vamos ajudar-te, mas isto não há cá almoços grátis:
Zé
Carlos (mais vencido pelo cansaço que outra coisa): Ok, vou ajudar e você vai
ter coração moçambicano.
Mary (say what now?): hmm.. não percebo bem..
Zé
Carlos: Vou ajudar e você vai ter coração moçambicano.
Mary (ah sim, porque se repetires exactamente a mesma
frase vou perceber): Mas o meu coração é português...
Zé Carlos lança sorriso matreiro e faz-se luz na
cabecinha da Mary. O moço estava a referir-se à ajudinha dada às autoridades
oficiais comummente designada por “refresco”. Ora bem, nesta altura já levava
2:37h de posto de fronteira, pelo que passei directamente ao “quanto é que
queres?”. Aparentemente, isto é uma grave infracção diplomática mas o meu ar
assertivo deve ter disfarçado a coisa e ele só respondia “você é que sabe, o
coração é seu”. So not the time para este
género. “Zé Carlos, o meu coração é e será português e eu estou cansada… Diz lá
quanto é que queres e vamos aviar o assunto”. Nada. Insisti em vão. Chefe das Alfândegas
dá lá uma ajudinha. Ok, sem problema. Chefe das Alfândegas chama o Zé Carlos e
saca duma… wait for it… calculadora.
A sério, uma calculadora? Vamos aplicar percentagens?
Depois de todo este cenário, lá chegámos a acordo
e fui buscar o dinheiro para lhe dar. Tiro notas, dobro, dou-lhe. Ainda a pôr o
dinheiro no bolso:
Zé
Carlos: Onde é que estás a viver?
Mary: Na
Chanica.
Zé Carlos:
Que é que fazes nas horas de lazer?
Mary (seriously? O chulanço foi tipo warm up é?):
Ah… depende… passeio… jogo bilhar… depende…
Zé
Carlos: Próximo jogo de bilhar vamos juntos.
Mary:
*blank*
Zé
Carlos: Queres jantar?
Mary: *GARGALHADA*
O choque foi tal que nem consegui disfarçar. Que
falta de noção. Pega no passaporte e foge dali.
Até já.
Até já.
Mary casou no boda. Next blog!
ResponderExcluirJesus..... É preciso estômago, jogo de cintura e... claro.... coração!
ResponderExcluirahhahahah bommmmmmmmm
ResponderExcluirAhah que bom!! Na verdade sempre soubeste que era nas Áfricas que o teu coração devia estar! Ele aí palpita e palpita...!! Agora sim o nome do blog faz sentido, porém podes mudar para "Do boda com e por amor"
ResponderExcluirSaudades!!
Bendito sentido de humor. Não mude para nos procupar menos.
ResponderExcluirBeijos querida