domingo, 11 de outubro de 2015

Da Saga Bis em Blantyre: O Gajo das Alfândegas

Ok, zero visto mas necessidade de voltar para Mandimba… Mary pensa e decide arriscar: siga para Mandimba!

Chego ao posto de fronteira de Mandimba e vejo o chefe das Alfândegas com quem, curiosamente, tinha visto o Benfica-Porto. “Estou a pedir visto.”, diz a Mary. Risada geral derivados do uso de uma expressão local. “O chefe da Imigração há-de dar.”. Okay, desde que alguém mo dê até pode ser o jardineiro.

Enter chefe da Imigração. Pela carinha do moço vi logo que não ia ser um parto fácil. Arregaça a manga, sorriso de orelha a orelha e vamos a isto. Long story short, ao contrário do que me disseram no Consulado, não dão aquele tipo de vistos nas fronteiras e tive que vender o meu primogénito e lançar muito charme para conseguir um acordo – leia-se, não sair de Mandimba e voltar ao Malawi na Quarta para pedir novo visto.

Notem que o medo principal desta gente era que eu fugisse. Where the hell to people? Lá lhes garanti que o meu coração estava em Mandimba e que não ia a lado nenhum. Ok, vamos ajudar-te, mas isto não há cá almoços grátis:

Zé Carlos (mais vencido pelo cansaço que outra coisa): Ok, vou ajudar e você vai ter coração moçambicano.
Mary (say what now?): hmm.. não percebo bem..
Zé Carlos: Vou ajudar e você vai ter coração moçambicano.
Mary (ah sim, porque se repetires exactamente a mesma frase vou perceber): Mas o meu coração é português...

Zé Carlos lança sorriso matreiro e faz-se luz na cabecinha da Mary. O moço estava a referir-se à ajudinha dada às autoridades oficiais comummente designada por “refresco”. Ora bem, nesta altura já levava 2:37h de posto de fronteira, pelo que passei directamente ao “quanto é que queres?”. Aparentemente, isto é uma grave infracção diplomática mas o meu ar assertivo deve ter disfarçado a coisa e ele só respondia “você é que sabe, o coração é seu”. So not the time para este género. “Zé Carlos, o meu coração é e será português e eu estou cansada… Diz lá quanto é que queres e vamos aviar o assunto”. Nada. Insisti em vão. Chefe das Alfândegas dá lá uma ajudinha. Ok, sem problema. Chefe das Alfândegas chama o Zé Carlos e saca duma… wait for it… calculadora. A sério, uma calculadora? Vamos aplicar percentagens?

Depois de todo este cenário, lá chegámos a acordo e fui buscar o dinheiro para lhe dar. Tiro notas, dobro, dou-lhe. Ainda a pôr o dinheiro no bolso:

Zé Carlos: Onde é que estás a viver?
Mary: Na Chanica.
Zé Carlos: Que é que fazes nas horas de lazer?
Mary (seriously? O chulanço foi tipo warm up é?): Ah… depende… passeio… jogo bilhar… depende…
Zé Carlos: Próximo jogo de bilhar vamos juntos.
Mary: *blank*
Zé Carlos: Queres jantar?
Mary: *GARGALHADA*

O choque foi tal que nem consegui disfarçar. Que falta de noção. Pega no passaporte e foge dali.

Até já.

5 comentários:

  1. Jesus..... É preciso estômago, jogo de cintura e... claro.... coração!

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  2. Ahah que bom!! Na verdade sempre soubeste que era nas Áfricas que o teu coração devia estar! Ele aí palpita e palpita...!! Agora sim o nome do blog faz sentido, porém podes mudar para "Do boda com e por amor"

    Saudades!!

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  3. Bendito sentido de humor. Não mude para nos procupar menos.
    Beijos querida

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